Em dezembro de 2008 depois de prestar os vestibulares e escolher a Universidade em que eu cursaria Direito, fuçando no bom e velho orkut, vi uma comunidade que falava assim "Passei de primeira na OAB". Aquilo despertou-me um ego, uma vontade de passar de primeira para me achar. No decorrer da faculdade, descobri que passar na OAB vai além de seus conhecimentos...
No primeiro ano da faculdade eu estava maravilhado com a minha nova vida adulta. Tudo era novo. Desde o início haviam pessoas que me simpatizei, e outras que torci o nariz. Colei absurdamente nas provas e tive dois exames que consegui eliminá-los.
No segundo ano, entendi que colando nas provas haveria somente um prejudicado: EU. Estaria me enganando e nada aprenderia. Fiz um pacto e somente faria as atividades e as provas com meus conhecimentos, e trouxe esse pacto até o quinto ano. Confesso que nesse ano o pacto não tem sido cumprido a risca, mas não deixo de estudar, rs.
No primeiro semestre da faculdade comecei a entregar curriculum para fazer estágio, achava importante já me familiarizar com as expressões, jargões e práticas jurídicas. Deus usou uma grande amiga, Marilis, que me ligou desesperadamente e com seu jeito doido de ser me passou o e-mail que deveria mandar o curriculum.
Depois de alguns dias recebi a ligação para fazer a entrevista. Estava confiante, mas com medo. Não tinha OAB, só estava na faculdade há 6 meses e isso começou a me deixar com medo. Diante de três anjos (Natalie, Ana Paula e Carla) fui entrevistado e depois de uma semana recebi a notícia de que a vaga era minha. Não me continha de tanta alegria. Lá fiquei por quase quatro anos e posso dizer que foi um dos lugares mais maravilhosos que trabalhei na minha vida. Com tudo que aprendi deveria pagá-las. Saí de lá com três grandes amizades de três grandes guerreiras... Dra. Natalie Andrade Hortas, Dra. Ana Paula Borgomoni e Dra. Carla Janaina.
Com meu passear de estágios, fui parar em Cubatão e lá aprendi tudo e mais um pouco com o Dr. Humberto e com o Sr. Marcos sobre Direito do Consumidor na unidade PROCON da cidade. Fez a diferença na minha vida aqueles cinco ou seis meses que ali estive. Não posso, e seria injusto, esquecer a querida Rose (japa) que com seu jeito meigo sempre me auxilio nos atendimentos e na interpretação do CDC.
De repente, me vi aprovado no processo seletivo da prefeitura de São Vicente e para lá fui. Entrava no Anexo Fiscal em dezembro de 2011, outro lugar maravilhoso de se trabalhar que fiz grandes amigas e com quatro guerreiras que seguram aquele lugar. Acredite quem quiser, a guerreira mor tem um metro e meio (por aí) mas quando fica brava não há gigante que lhe segure. Nesse departamento da prefeitura fiquei meio perdido no começo, mas depois quando embalei, fui que fui e adorei ter trabalhado com as Dras. Elaine da Silva, Marília Rufino, Paloma Petinattii e Elisângela Ramalho. Queridas pessoas que levarei a vida toda em meu coração e se tornaram minhas amigas.
Prestei outro concurso de estágio e fui para um lugar assombroso e horrível que não macularei esta crônica citando-a... De lá, só se salva o maravilhoso e humano Dr.André Vicentini Gazal.
Outro concurso fiz e parei na PGE de Santos. Lugar maravilhosíssimo de se trabalhar,e não podia cair para trabalhar com alguém melhor do que o Dr. Ricardo dos Santos Silva. Homem simples, pacato e muito humano. Uma pessoa maravilhosa que me ajudou muito nesse período de pré-OAB e que chegou a me dispensar nas sextas-feiras para que pudesse me preparar melhor.
Todas essas pessoas citadas acima me ajudaram profissionalmente e foram graças a elas que tive jogo de cintura e soube escolher a matéria da segunda fase que prestaria. Deus foi muito bom comigo em colocá-las em meu caminho.
Já na parte afetiva, não posso esquecer de mencionar meu avô Paulo, que de onde estiver estará muito feliz e orgulhoso de mim. Minha avó Ignez que sempre que pode me ajuda com cursos e livros e jamais desacreditou de mim. Meus pais que me ajudaram até onde puderam na faculdade e sempre me apoiaram até em momentos muito delicado para eles. Ao Mike que jamais me deixou desistir e sempre esteve do meu lado, me compreendendo e me perturbando também, rs. Ao meu cunhado que sempre acreditou em mim e nunca desistiu dos seus sonhos, sendo modelo de persistência. Aos meus melhores amigos Alexandre Pereira e Erivelto Fernandes que nos momentos de fraqueza me carregaram no colo, não me deixaram desistir, que me ajudaram, não tenho nem o que dizer a eles e suas esposas, minhas amigas Samara e Egly.
Ao Mineiro, que sempre me aterrorizou para passar na prova. Não posso esquecer da minha sogra, Paulina, que sempre acreditou em mim. E várias e várias outras pessoas que não conseguirei elencar, mas que sem dúvida foram essenciais na minha vida.
Agradeço à equipe Damásio (Darlan, Brunno, Leandro, Roberto...) que com seus professores foram essenciais na minha aprovação.
Agradeço aos professores da Unimes, Drs. Rafael Quaresma, Leite, Loureiro e Nilson que são peças raras e valiosas na Instituição e que me ajudaram muito.
A OAB não é somente conhecimento, é um pouco de sorte também, vi pessoas preparadíssimas para prova que levaram uma rasteira por terem sido submetidos a uma prova mal formulada.
Eu consegui realizar um sonho, mas eu não vou parar por aqui, eu quero mais. Agora, mais do que nunca eu sei que posso. Agradeço a todos que contribuíram e acreditaram em mim. Eu passei, eu consegui, eu venci o monstro da OAB.
Foram anos de muita luta, passei muitas privações, e tive que fazer dois estágios e as vezes até "bicos" finais de semana para pagar a faculdade, os livros, despesas pessoais e etc. Antes da prova tive que baixar a crista, tive que admitir que mesmo sendo dedicado ser aprovado ia além dos meus esforços, como disse, passar na OAB é uma cumulação de estudo e sorte. Mas valeu a pena... Daqui seis meses com o diploma na mão serei ADVOGADO.
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