Não entendo muito de economia,
mas pelo pouco que leio, e com um senso crítico que me é peculiar, andei
pensando em alguns acontecimentos do nosso cotidiano.
O primeiro deles refere-se à
prostituição de determinadas profissões. Na minha área, por exemplo, o órgão de
classe dispõe aos advogados uma tabela de honorários a ser seguida. Não se pode
cobrar menos do que ali estabelece. No entanto, nos deparamos com diversos
profissionais que cobram ínfimos valores e não concluem ou não prestam um
serviço com eficiência. Vejo que o governo abriu as portas da universidade para
os cidadãos, mas se esqueceu de valorizar o profissional. Hoje há uma enorme
oferta e pouca procura. Aquele que tiver o menor preço, independente de
profissionalismo leva a melhor. Sem contar naquelas pessoas que são formadas,
mas atualmente trabalham em áreas absolutamente diversas das que cursaram.
Outro ponto que andei observando
é a incompetência de nossos governantes em propiciar e manter um transporte
público de qualidade. Aumentaram a possibilidade das pessoas adquirirem um veículo
e colapsaram as cidades de médio porte que hoje enfrentam trânsitos caóticos
por falta de uma infraestrutura viária. O governo federal abaixou os impostos e
jogou o problema para os municípios. Exemplo dessa situação são as cidades
contíguas de Santos e São Vicente que deixaram de ter horário de pico, e hoje
já podem ser chamadas de mini São Paulo, uma vez o trânsito intenso a todo o
momento do dia.
Ainda compartilho outro
pensamento, no que diz respeito aos serviços de empresas multinacionais que
estabelecidas em nosso país brincam com seus consumidores. Semana passada
precisei falar com a empresa Vivo que presta serviço de TV a cabo em minha residência. Ao tentar agendar a visita de um
técnico fiquei conversando, ou melhor, gritando com um atendente virtual que
pede para você relatar o motivo da sua ligação, você responde “reparo” ele diz “ok,
entendi. Você procura serviço de DDD”. Hilário se não fosse trágico. Sem contar
os vinte minutos que ficamos na linha para a atendente dizer “Sou da triagem,
agora que sei seu problema irei transferir a ligação”. Então eu sou trouxa
mesmo. Depois de me estressar com o computador, ele não serve de nada, porque
ainda assim há uma atendente que não resolve meu problema. Acreditem, eu fiquei
mais de uma hora ouvindo música e não fui atendido. Simultaneamente liguei do
meu celular e ainda assim não obtive êxito. Minha dúvida é como ser possível
que órgãos reguladores, que tem humanos trabalhando, nunca se estressaram ou
passaram por uma situação dessas. Quando trabalhei no PROCON de Cubatão, fazia
questão de denunciar empresas que desrespeitavam o Código de Defesa do Consumidor.
Ainda pior é nosso Judiciário, uma
vez judicializada a causa cumulando o pedido com uma indenização, somos
surpreendidos com a mesma justificação, qual seja, mero dissabor diário. Uma afronta à lei protecionista dos
consumidores. No Brasil a ilegalidade exercida diariamente por empresas
certamente compensa, no judiciário, atos abomináveis são meros dissabores.
O que vejo é um jogo de
empurra-empurra onde quem perde é o cidadão brasileiro. Não bastasse todos os
serviços públicos de péssima qualidade, ainda lhes falta (ao governo) competência
para fiscalizar as empresas que usurpam o consumidor e ficam impunes.
Em tempo, podemos verificar pela
mídia atual que por mais um ano consecutivo o Banco Bradesco auferiu lucro
líquido, digno de entrar no Guinnes,
experimente processar a instituição financeira por uma negativação indevida ou
afins e verifique se o princípio da proporcionalidade será atribuído à ação em
questão. Isso é uma vergonha!